As Velhas
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Rua Conceição da Glória, nº21 Das duas senhoras de provecta idade que dão nome à casa não se sabe a história, mas é provável que tenham sido importantes nos seus primórdios, sendo que estamos perante alicerces desde há muito enraizados na área da restauração em Lisboa. Fonte: Jornal da Região, 23 a 29 de Janeiro de 2007
21 342 24 90
Segunda a sexta das 12h às 15h e das 19h às 22h30
Encerra ao Sábado ao almoço e ao Domingo
"Se não é centenária, anda muito perto disso", estima José Gonçalves, minhoto de Mire de Tibães que tem a gestão directa deste estabelecimento desde 1992. Do fundo do baú de memórias retira a pista de um anúncio do extinto Diário de Lisboa, datado de 1940, onde se informava da reabertura do restaurante, então com a nova gerência do antigo campeão de luta livre, Manuel Gonçalves, que apostava no ex-cozinheiro do vizinho restaurante Silva (actual Sancho) para por a concorrência KO. Tempos que já lá vão…
Hoje em dia, "As Velhas" designa um restaurante que se modernizou o suficiente nas instalações e meios de trabalho para proporcionar conforto e confiança a quem o visita, mas onde essa referência a uma vetusta idade, enriquecida por experiências e por tradições cumpridas com todo o gosto, lhe assenta como uma luva quanto à essência da sua oferta gastronómica: o sabor caseiro e as influências regionais.
O ambiente da sala única ao dispor dos convivas é coerente com essa aposta, assentando na forte presença da madeira escura (nas traves do tecto, ou ao longo das paredes) e nas numerosas gravuras ilustrando homens de outra época - contemporâneos, quiçá, das ditas velhas…. - ora mais empedernidos na sua fidalguia, ora de expressão boémia à espreita. Não se trata, porém, de uma obsessão a preto e branco e a prova disso é o colorido conjunto de figuras de cerâmica, réplicas de personalidades que marcaram os anos mais recentes, grande parte das quais, de resto, ainda vão a tempo de ali irem ver-se ao espelho em miniatura saído das mãos de artista: Eça de Queiroz, Alberto João Jardim, Cavaco Silva, Mário Soares,Krus Abecassis, Álvaro Cunhal, Eusébio, Sá Carneiro, Ramalho Eanes… "Comprei-as a um galego, Angel Sebastian, que tinha um restaurante no Bairro Alto (o antigo Porta Branca), mas também era excelente a fazer este tipo de peças e gravuras", explica José Gonçalves.

Na ementa é que não se brinca em serviço. "Não gosto de inventar", assume o proprietário, como quem diz que em equipa vencedora não se mexe. Esse parece ser, também, o pensamento dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol que, segundo avança o anfitrião, ali costumam ir amiúde.Muitas das vezes, esses e outros entram em campo já com a táctica bem estudada: "Quase sou obrigado a ter cabritinho todos os dias", "queixa- se" José Gonçalves.
A pequena cabra, oriunda de Castelo Branco, é uma das estrelas da casa, mas a imagem de marca é mesmo o peixe fresco, tal como se adivinha olhando as vitrinas rolantes no interior da sala. "Sobretudo grelhado e no forno", concretiza a gerência, aludindo a opções como garoupa, cherne, bacalhau - conta-se que a versão deste no forno, à minhota, é "a perdição dos turistas" - salmão, ou linguado. Todavia, também há cataplanas com o que se queira lá dentro, arroz de marisco, açorda de gambas, parrilhada de frutos do mar...
Nas carnes, além do cabritinho, há rojões com castanhas à transmontana, lombinhos de novilho à café, costela de novilho no churrasco, iscas com presunto à portuguesa, carne de porco à alentejana, entrecote à portuguesa...
Sem fundamentalismos, sobra espaço para sugestões como fondue bourguignome, filet à inglesa, ou à lá creme.

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