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Rua d. Pedro V, 62-64
21 342 30 11
Segunda a Sábado das 11h às 19h
A grande atracção nesta loja são as peças do arquipélago dos Bijagós (Guiné Bissau), a maioria adornos para danças iniciáticas, mas também máscaras, esculturas, têxteis, olaria, jóias...
Um projecto de Júlia Simão, que viveu durante 26 anos na Guiné-Bissau, país que abandonou em 2001, quando a guerra a obrigou. Fugiu desiludida, debaixo de fogo cruzado; viu os seus negócios serem pilhados, destruídos.
Não desistiu. Hesitou entre voltar a Portugal ou ficar numa outra cidade de África. Decidiu-se pela pátria: abriu uma loja em Campo de Ourique e, em Maio de 2004, esta loja próximo do Príncipe Real. Chamou-lhe Pó di Terra, termo guineense que significa, raízes...
A loja é conhecida, sobretudo, pela colecção de arte dos Bijagós, o arquipélago da Guiné onde ainda hoje se criam esculturas com a mesma crença animista dos tempos antigos. "Há 20 anos, era comum encontrar nos Bijagós locais de culto, as chamadas balobas, que tínhamos todo o cuidado em não tiocar...". O respeito por estes objectos religiosos, e a dificuldade em adquiri-los, faz com que a maioria das peças que comercializa sejam de dança. "As de culto não são geralmente vendaveis".
Nos Bijagós, há escolas de escultores e os jovens aprendem a ewsculpir a madeira como os antepassados. Por isso, a sua é uma cultura viva. As máscaras que talham são feitas para serem dançadas - a arte africana é utilitária - e quanto mais bailadas, maior é o seu valor. Assim como é mais alto o preço das mais antigas, com 30, 40 ou 50 anos.
Júlia Simão procura sempre peças dançadas, porque acredita que têm outra força, outra alma. E são estas que querem também os coleccionadores. "Têm o poder que os povos que as fazem lhes atribuem. E isso diferencia-as do artesanato, de objectos feitos apenas para serem comercializados".
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