Marchas Populares
![]() |
A tradição de música e cor, sublinhada por homenagens ao mar, à pesca, ao fado, às profissões tradicionais, e até uma certa sátira política; que todos os anos invade a Avenida da Liberdade na noite de 12 Junho só teve início em 1934.
A ideia partiu de um jornalista do Diário de Lisboa, numa tentativa de “voltar aos mais ancestrais costumes”, que remontavam aos desfiles populares de D. Pedro, e às imitações do “Rei-Sol” francês, do tempo de D. João V. Além do mais, esta ideia integrava-se na política de reinvenção da nossa História, bem ao gosto do Estado Novo.
Porém, as primeiras vezes que tal evento se concretizou, limitou-se ao espaço confinado do Parque Mayer, tendo no júri figuras como Beatriz Costa ou Lucinda Simões. Só no ano seguinte as marchas saíram para a Avenida, num acontecimento quase Nacional, que porém foi interrompido devido à 2ª Guerra Mundial, até 1940, ano da famosa Exposição do Mundo Português. Ainda assim, depois desta Exposição, as Marchas voltaram à reclusão, só voltando a desfilar em 1947 (comemoração dos oito séculos da tomada de Lisboa aos Mouros).
Só a partir de 1952 (ano em que as Marchas atinem o seu auge), e apenas com uma ligeira interrupção no pós-25 de Abril; é que as Marchas adquirem o seu estatuto anual que, hoje em dia é internacionalmente famoso, estando classificadas em 19º lugar no ranking dos 50 melhores festivais europeus; o que é uma excelente compensação para meses e meses de trabalho e treino, que envolvem milhares de pessoas que procuram trazer a público as melhores coreografias, os melhores trajes e os padrinhos mais mediáticos.
O resultado, sempre polémico, premiando a marcha mais original, a melhor música, a melhor coreografia ou cenografia, a letra mais original, será discutido acaloradamente nos meses seguintes entre bairros rivais. Até à noite de 12 de Junho do ano seguinte…
Localização:





